14 de mar de 2010

Qual a origem da sua roupa?

Ontem assisti um documentário excelente chamado Made in L.A ou Hecho en Los Angeles. O filme conta a história de 3 latinas que vivem em Los Angeles e lutam por direitos trabalhistas. Como a maioria dos latinos que migram para os EUA, essas mulheres são exploradas, trabalhando praticamente como mão de obra escrava para a indústria da moda. O esquema funciona da seguinte maneira: a grande grife contrata um fornecedor (e paga pouquíssimo), este por sua vez contrata fábricas, que contratam as costureiras. Segundo uma das mulheres, a fábrica determina: "te pago x". E por necessidade, elas aceitam. Elas trabalham mais de 8 horas por dia, fins de semana, sem nenhum vínculo empregatício, sem receber horas extras, seguro saúde,  aposentadoria, férias pagas, nada. Em outro depoimento, uma costureira diz: "essa camiseta custa na loja 13 dólares e eles me pagaram 19 centavos para produzi-la". As protagonistas se unem à uma organização não-governamental e começam a lutar por seus direitos.

Made in L.A. Trailer


Não vou contar o resto do filme, óbvio. Só digo que vale muito a pena ver porque ele abre espaço para uma série de reflexões.

Depois de ver o filme fiquei pensando nas minhas roupas, principalmente naquelas incrivelmente baratas. É revoltante ver que os donos das marcas constroem sua riqueza às custas da exploração de pessoas tão pobres, e vergonhoso para mim em saber que também contribuo para isso.

Muitas marcas já foram denunciadas. Algumas criaram um "código de conduta", com uma série de normas éticas para a produção de suas roupas, que elas exigem de seus fornecedores. Segundo instituições que lutam pelo fim da exploração de trabalhadores em países pobres, estas normas são apenas uma máscara; as organizações não levam isso a sério e nenhuma fiscalização rígida ou controle são feitos.

Report Mainz - H&M Produktion (sorry, só em alemão)

Não podemos dizer que só as marcas baratas são suspeitas. Vai lá no seu guarda roupa e dá uma olhada na etiqueta daquelas, pelas quais você pagou um pouquinho mais. Elas também são produzidas em países pobres e infelizmente, nós consumidores,  dificilmente temos como saber em que condições foram produzidas.

Já faz um tempo, vi na tv uma reportagem sobre trabalhadores de uma fábrica de Jeans na Turquia. Eram só homens e uma boa parte estava com uma doença que eles adquiriram durante a produção dos tais jeans desbotados (na linguagem fashion, used look). A doença é no pulmão e não tem cura. Alguns já haviam morrido. O esquema dessa fábrica era igual ao das latinas do documentário. Ninguém queria assumir a responsabilidade pela saúde dos trabalhadores.

Achei a matéria no Youtube! (com narração em Espanhol e legendas em inglês)


E aí ficou a pergunta: o que nós consumidores podemos fazer? Tem como saber quem são as empresas que jogam menos sujo? O que vocês fazem? Vocês se importam com isso?

Atualizando: Clean Clothes Campaign ; )

11 comentários:

Gisley Scott disse...

Tudo é um sistema de conspiração muito grande, pq a publicidade diz que vc precisa ter pra ser diferente, mas aí todo mundo compra aquele produto e acaba todo mundo sendo tudo igual.

Gosto de moda, mas na minha opinião, na maioria das vezes é pura futilidade.Vejo pessoas pagando absurdos por calças rasgadas só pq estava na moda.

O que eu descobri qdo ainda morava em Fortaleza é que a única diferença entre uma peça de shopping e uma peça de um lugar não conhecido é a etiqueta, pq o modelo na maioria das vezes é O MESMO.

E outra, pq dar tão caro em uma peça de roupa ou do que quer que seja se vc vai ter que passar pra frente de qualquer jeito?

soblogsamigos disse...

É impressionante né?
Cristiane

Mi disse...

é dificil comprar roupas que nao venham de trabalho quase escravo. Como vc disse, a maioria vem de paises como India, Bangladesh, Marrocos...tanto faz se vc compra na C&A ou na Zara. Mas algumas lojas ja oferecem roupas "bio", que sao feitas de material organico e mao-de-obra justa. Que é dificil de achar, é! Mas acho que talvez essa "moda" pegue. bjs!

Jannine disse...

Eu fico passada com certas coisas Chant...agora falando sério, nunca me preocupei muito com isso de roupa. Visto uma sulanca de Caruaru e Toritama feliz da vida!
Um cheiro.

Cristiane A. Fetter disse...

Feliz dia do blogueiro viu?
bjks

Roseane, disse...

Nós podemos no mínimo deixar de comprar essas roupas. Isso é incrível, dá uma revolta. É um círculo viciosO. Elas trabalham e aceitam essas péssimas condições porque precisam, e nós compramos essas roupas pop ignorância e também porque precisamos. É um caso díficil. Precisamos pensar e discutir abertamente para tentarmos achar uma solução. Bom domingo!!! Bjks

Bubusca disse...

O negócio é como diz Mi, comprar roupa bio. É difícil encontrar, mas um dia a moda pega, assim espero. Aos pouquinhos, como frutas, legumes e carne bio. Amoda já não pegou ainda porque nem todo mundo sabe dessas coisas. Mas acho que se soubesse muita gente não compraria roupa feita nessas condições.

Xêro, fia !

Bubusca disse...

O negócio é como diz Mi, comprar roupa bio. É difícil encontrar, mas um dia a moda pega, assim espero. Aos pouquinhos, como frutas, legumes e carne bio. Amoda já não pegou ainda porque nem todo mundo sabe dessas coisas. Mas acho que se soubesse muita gente não compraria roupa feita nessas condições.

Xêro, fia !

Roseane, disse...

Então, vamos nos encontrar esta semana? Bjks e bom findi!!

Live from Germany disse...

É muito triste essa situação. Infelizmente fazer boicote não resolve o problema. A nova moda "bio" além de ainda ser difícil de ser encontrada, conta ainda com os problemas que elas ainda não são realmente confiáveis e as poucas que eu vi não eram lá aquela "belezura". Tomara que isso mude logo! Mais humanidade no mundo "atrás" da moda!!

Roseane, disse...

Chant esqueci de dizer que o teu cabelo está ótimo. Bjks